Um texto para você

by - fevereiro 27, 2018



As vezes a gente para pensando nas coisas, nas lembranças e fica rindo, ou encantado com algo que aconteceu porque normalmente a gente faz e passa pelas coisas sem notar o quão vão se tornar especiais, boas pro coração ou pro próprio ser em crescimento.
Foi assim que me lembrei da nossa primeira vez em um hotel. Estava tendo uma manifestação na avenida paulista, tudo verde e amarelo, pessoas gritando e você ficou com receio de entrar. Mas, foi maravilhoso. Ninguém pôde escutar nada por conta do barulho lá fora. O dia em que enchemos a cara naquele mesmo hotel e eu apareci nua na janela e você me puxou e disse: "amor, sai daí! Vai se deitar!" E tudo que eu conseguia fazer era rir, e chorar e você já não sabia o que fazer até eu vomitar o chão todo. Acho que você nunca aproveitava nossas bebedeiras, porque eu sempre passava mal ou chorava e você sempre cuidou de mim. E teve aquele dia que você me mandou um buquê lindo, lindo e eu chorei. Teve a primeira vez que fomos para praia e demorou quase três horas e você já estava roncando do meu lado, e eu morrendo de medo das curvas das estradas. E na outra vez que fomos pra Guarujá e tomamos dois sorvetes cada porque estava um absurdo de barato e estava muito quente. Lembro de querer fazer tatuagem de hena de casal e você estar com vergonha, eu fiz birra aquele dia, como sempre faço. Mas, passou. A gente dormiu juntinhos depois e passou. Passou como sempre passa. Teve aquele filme no começo do nosso namoro, na verdade vários em que nunca prestávamos atenção porque eu sempre fui inquieta demais e só queria te beijar. E você aceitava. Me beijava de volta sem reclamar. E aí, eu acho que você me achava maluca. Porque se você não correspondia eu ficava batendo o pé como que ansiosa e fechava a cara. Cê me olhava preocupado, como quem tinha medo de me perder. E eu ri. Ria porque as coisas eram simples demais para mim. Você lembra do primeiro motel? Nossa primeira vez numa hidro e eu enchi de sabão e você disse para eu tirar minha lingerie preta porque se incomodava comigo de roupa. E eu me incomodo em ficar pelada na sua frente. Até hoje me incômodo
No dia dos namorados cortei milhares de corações sobre a cama, velas vermelhas e uma lingerie branca. Lembro que enquanto você estava vendado e eu preparava o quarto, achei aquela invenção idiota. Mas o seu sorriso me fez mudar de idéia.
Me lembro também de quando eu sentia uma insegurança aqui dentro do peito e você me beijava e quando eu te olhava você fechava um dos olhos, aquela sua mania. Só um aberto. E isso me trazia uma felicidade grande dentro de mim.
Existiram tantas coisas. As baladas: As brigas, bebedeiras, meu vomito
Hotéis motéis: Espuma, abraço, sexo sem amanhã, nossas músicas
Filmes, músicas, praias, parques, bebidas, choros, desabafos naquele nosso mundinho. Eu me esquecia de tudo no seu abraço, no vento nos seus cabelos, no seu cheiro, olhando nos seus olhos castanhos, no seu sorriso lindo, na sua mão que sempre achei bonita. No seu corpo em que sempre me perdia, nos seus dentes mordendo o lóbulo da minha orelha enquanto transávamos e na sua respiração. Nos seus presentes fora de hora, e como dormia tão sereno e eu aqui te olhando dormir, te beijando a pálpebra.
Eu amava te ver irritado, ou sorrindo ou te todas os jeitos possíveis. Amo cada pedaço seu.
Passaram-se 3anos meu bem. E agora a gente não sabe o que vai ser. 

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